{"id":3803,"date":"2024-07-31T13:00:00","date_gmt":"2024-07-31T16:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/implantacaopro.xyz\/institucional-biofao\/ver-resistir-interromper-inventar-a-potencia-de-uma-rede\/"},"modified":"2024-07-31T13:00:00","modified_gmt":"2024-07-31T16:00:00","slug":"ver-resistir-interromper-inventar-a-potencia-de-uma-rede","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/implantacaopro.xyz\/institucional-biofao\/ver-resistir-interromper-inventar-a-potencia-de-uma-rede\/","title":{"rendered":"Ver. Resistir. Interromper. Inventar: a pot\u00eancia de uma Rede"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Redes s\u00e3o padr\u00f5es relacionais e org\u00e2nicos de uma vida que \u00e9 sist\u00eamica. Se complexo \u00e9 tudo o que se tece de forma conjunta, a rede pode ser a configura\u00e7\u00e3o relacional desse padr\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas houve um tempo em que homens da ci\u00eancia ocidental decidiram pela linearidade da vida. Em suas mentes havia linhas e bolas de bilhar. Assim Newton, Descartes e Bacon deixaram um legado, cuja capilaridade \u00e9 indescrit\u00edvel. At\u00e9 mesmo quem nunca se aproximou da ci\u00eancia, aprendeu a transformar a teia de aranha em linha de trem. \u00c0 linha, seguiu-se a separa\u00e7\u00e3o, surgiu a an\u00e1lise e a categoriza\u00e7\u00e3o; depois, a especializa\u00e7\u00e3o e at\u00e9 a hiperespecializa\u00e7\u00e3o. O frankenstein fez morada em nossos pensamentos e cora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No in\u00edcio do s\u00e9culo passado &#8211; com o advento da f\u00edsica qu\u00e2ntica e da teoria das redes &#8211; a rede, como possibilidade, recrudesceu. E ainda que a tecnologia tenha possibilitado a efetiva\u00e7\u00e3o desse modelo como padr\u00e3o, o cartesianismo ainda nos habita.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As tecnologias em rede fizeram da experi\u00eancia humana e planet\u00e1ria um fen\u00f4meno em termos de conex\u00e3o. Pessoas de mundos t\u00e3o distantes se conectam a um clique; eventos que acontecem nos extremos planet\u00e1rios podem ser apreciados de forma simult\u00e2nea. O mundo, sim, foi ampliado. As fronteiras geogr\u00e1ficas, na rede, s\u00e3o invis\u00edveis. Comidas, paisagens, rituais, culturas, l\u00ednguas, humanidades, artes, modos de viver&#8230; tudo isso se encontra \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas como nenhuma experi\u00eancia hist\u00f3rico-mundial encontra-se imune \u00e0s ordens do capital neoliberal, as redes foram gestadas mais pra \u201cenredar\u201d, do que para conectar. Ali\u00e1s, nunca experimentamos tanta desconex\u00e3o, seja conosco, com nossos prop\u00f3sitos, com a natureza que nos constitui, com nossos amores. Como nos conectar se a mais valia que nos empobrece \u00e9 a captura do tempo?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enredados estamos. Capturados. As redes tornaram-se dispositivos de aprisionamento. O fil\u00f3sofo Peter P\u00e1l Pelbart nomeia: \u00e9 modo de controle de nossas subjetividades! Sim, estamos presos em conex\u00f5es saturadas. H\u00e1 satura\u00e7\u00e3o de imagens, de palavras, de sons, de est\u00edmulos, de ideias, de prescri\u00e7\u00f5es. Sentimo-nos intoxicados. E a promessa de amplia\u00e7\u00e3o, nos reduziu. Somos menos, mais pobres, quase nada. Ref\u00e9ns de influencers, sem percebermos que esse \u00e9 o nome moderno do colonizador. As redes logo se tornaram vitrines de um grande shopping, invis\u00edvel. O consumismo tornou-se um v\u00edcio. Byung Chul-Han, no Livro Sociedade da Transpar\u00eancia, evidencia o aspecto pornogr\u00e1fico das redes: desnudamo-nos nela e imploramos para sermos vistos, porque ser visto tornou-se condi\u00e7\u00e3o de estar vivo. Estamos adoecendo: seja por automatismo nas formas de viver, seja por excesso de um gregarismo que, em meados de 1800, o fil\u00f3sofo Nietzsche j\u00e1 advertia: o esp\u00edrito de rebanho massifica e nos reduz ao que \u00e9 homog\u00eaneo. Nas redes estamos mais como assujeitados do que como sujeitos singulares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas estas linhas n\u00e3o querem ser apocal\u00edpticas. De fato, precisamos ver a problem\u00e1tica que se desenha na invisibilidade. Mas, o que fazer, se n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel e nem desej\u00e1vel retornar a uma condi\u00e7\u00e3o anterior? Peter P\u00e1l Perbart intui: \u00e9 preciso criar novas redes no influxo dessas! Redes menores, que sejam tecidas em outras escalas, outros espa\u00e7os, outros ritmos, outras finalidades, em torno de causas preciosas e n\u00e3o instagram\u00e1veis, que precisam ser sustentadas com gestos m\u00ednimos: n\u00e3o os meus apenas, nem apenas os seus, mas os de uma comunidade, de uma tribo, de uma aldeia, de um vilarejo, de um quilombo. Redes essas que se comprometam com o pertencimento e com a reciprocidade: que possamos nutrir algo que nos nutra; que possamos sustentar algo que nos sustenta; que possamos, sobretudo, manter acesa a chama da fogueira das causas que valem a nossa exist\u00eancia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 preciso interromper esses dispositivos que nos adoecem, que nos dessubjetivam de nossas singularidades. Mas resistir \u00e9 pouco. Precisamos liberar nossas for\u00e7as e pot\u00eancias criativas, em linhas de fuga, para criar e inventar outros modos de viver, que respeitem a escala humana e a ajudem a se reconectar com todas as escalas da vida. Que tipo de Rede voc\u00ea alimenta e escolhe?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Redes s\u00e3o padr\u00f5es relacionais e org\u00e2nicos de uma vida que \u00e9 sist\u00eamica. Se complexo \u00e9 tudo o que se tece de forma conjunta, a rede pode ser a configura\u00e7\u00e3o relacional desse padr\u00e3o. Mas houve um tempo em que homens da ci\u00eancia ocidental decidiram pela linearidade da vida. 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