{"id":3613,"date":"2018-12-14T18:55:09","date_gmt":"2018-12-14T20:55:09","guid":{"rendered":"https:\/\/implantacaopro.xyz\/institucional-biofao\/desver-o-medo-da-sombra-para-ver-com-suavidade-luz-do-equilibrio\/"},"modified":"2018-12-14T18:55:09","modified_gmt":"2018-12-14T20:55:09","slug":"desver-o-medo-da-sombra-para-ver-com-suavidade-luz-do-equilibrio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/implantacaopro.xyz\/institucional-biofao\/desver-o-medo-da-sombra-para-ver-com-suavidade-luz-do-equilibrio\/","title":{"rendered":"Desver o medo da sombra para ver com suavidade a luz do equil\u00edbrio"},"content":{"rendered":"\n<p align=\"center\">\n\t<br>\n<\/p>\n\n<p>Vivemos em um tempo de grandes desafios. Neste contexto, a lucidez \u00e9 algo que se aspira. Ela \u00e9 a luz-mestra que nos conduz, como vagalume, em noites escuras.<\/p>\n\n<p>Gostaria de trazer um conto e uma reflex\u00e3o, a partir de Chuang Tzu, um dos maiores escritores tao\u00edstas da hist\u00f3ria, esta vertente filos\u00f3fica mais intuitiva, emocional, ligada \u00e0 natureza. \u00c9 atribu\u00eddo a ele o conto chamado A Fuga da Sombra\n\t<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\" title=\"\">\n\t\t<!--[if !supportFootnotes]-->[1]:<\/a>\n<\/p>\n\n<p><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\" title=\"\">&nbsp;&nbsp;<\/a><\/p>\n\n<p><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\" title=\"\"><em>Havia um homem que ficava t\u00e3o perturbado ao contemplar sua sombra e t\u00e3o mal-humorado com as suas pr\u00f3prias pegadas que achou melhor livrar-se de ambas. O m\u00e9todo encontrado por ele foi o da fuga, tanto de uma, quanto de outra.<\/em><\/a><\/p><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\" title=\"\">&nbsp;<p><em>Levantou e p\u00f4s-se a correr. Mas, sempre que colocava o p\u00e9 no ch\u00e3o, aparecia outro p\u00e9, enquanto a sua sombra o acompanhava, sem a menor dificuldade.<\/em><\/p>&nbsp;<p><em>Atribuiu o seu erro ao fato de que n\u00e3o estava correndo como devia. Ent\u00e3o, p\u00f4s-se a correr, cada vez mais, sem parar, at\u00e9 que caiu morto por terra.&nbsp;<\/em><\/p>&nbsp;<p><em>O erro dele foi o de n\u00e3o ter percebido que, se apenas pisasse num lugar sombrio, a sua sombra desapareceria e, se se sentasse ficando im\u00f3vel, n\u00e3o apareceriam mais as suas pegadas.<\/em><\/p>&nbsp;<p><em>&nbsp;<\/em><\/p>&nbsp;<p>Este texto fala de um modo de vida adquirido na modernidade, de livrar-se do que incomoda, de fugir da sombra, de correr como forma de se aspirar estar em outro lugar, de recusar-se a olhar para dentro. Fala tamb\u00e9m sobre a dificuldade de se parar, de se ver-enxergar, de compreender.<\/p>&nbsp;<\/a>\n\n<p><\/p>\n\n<p><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\" title=\"\">Em 1888, o fil\u00f3sofo Nietzsche<\/a>\n\t<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\" title=\"\">\n\t\t<!--[if !supportFootnotes]-->[2] falava da import\u00e2ncia dos educadores, entre outras coisas, porque precisamos \u201caprender a <em>ver\u201d.&nbsp;<\/em>Para o fil\u00f3sofo, <em>ver&nbsp;<\/em>significa <em>acostumar os olhos \u00e0 quietude, \u00e0 paci\u00eancia, a aguardar atentamente as coisas, a protelar os ju\u00edzos (&#8230;)<\/em>. Para ele, aprender a ver \u00e9 uma esp\u00e9cie de prepara\u00e7\u00e3o para uma vida contemplativa, que nos ensina uma compet\u00eancia muito importante &#8211; sobretudo no tempo em que nos encontrarmos -, chamada, por ele, de <em>vontade forte,&nbsp;<\/em>e que tem a ver com a capacidade de n\u00e3o reagirmos imediatamente a um est\u00edmulo a que nos vemos expostos. Poder <em>suspender uma decis\u00e3o&nbsp;<\/em>ou <em>sustentarmos uma oposi\u00e7\u00e3o ao est\u00edmulo,&nbsp;<\/em>sem uma rea\u00e7\u00e3o imediata, seria o desafio. Esta rea\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica seria prova, para Nietzsche, <em>de um car\u00e1ter doentio, de decad\u00eancia, de um sintoma de esgotamento.&nbsp;<\/em><\/a>\n<\/p>\n\n<p><a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\" title=\"\">&nbsp;<\/a><\/p>\n\n<p><a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\" title=\"\">Apenas um s\u00e9culo se passou e nos vemos imersos em um modelo de sociedade das <em>conex\u00f5es absolutas<\/em><\/a><em><a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\" title=\"\"><!--[if !supportFootnotes]--><b>[3]<\/b><\/a><\/em><a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\" title=\"\">, com a mobiliza\u00e7\u00e3o total dos sentidos. A caracter\u00edstica deste tempo \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o de est\u00edmulos em larga escala e a idealiza\u00e7\u00e3o de um ser humano multitarefa. Tudo nos convoca e nos seduz \u00e0 rea\u00e7\u00e3o e ao estar fora de n\u00f3s. \u00c9 neste contexto que podemos situar a depress\u00e3o, esgotamento, suic\u00eddio, e des\u00e2nimo, j\u00e1 que reagir \u00e9 desmerecer a si e para legitimar o outro.<\/a><\/p>\n\n<p><a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\" title=\"\">&nbsp;<\/a><\/p>\n\n<p><a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\" title=\"\">Ser capaz de resistir a um est\u00edmulo significa, como diz Dra. M\u00edria, ser gestor de si mesmo, sentar no seu pr\u00f3prio trono, construir sua pr\u00f3pria vida. Significa tamb\u00e9m agir de acordo com sua consci\u00eancia, com a sua capacidade de refletir, de acordo com os seus princ\u00edpios e valores. Aquele que apenas reage &#8211; seja a uma provoca\u00e7\u00e3o do mundo, do outro, do governo, das tend\u00eancias da moda, das id\u00e9ias da rede social, do que possam falar de n\u00f3s &#8211; , n\u00e3o tem energia dispon\u00edvel para agir em favor de si mesmo e de sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria. Este est\u00e1 perdido no mundo, fugindo de suas sombras, exausto de tanto correr.<\/a><\/p><a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\" title=\"\">&nbsp;<p>O desequil\u00edbrio nos chega quando estamos ref\u00e9ns do mundo dos outros, da vida dos outros, das redes sociais dos outros, e n\u00e3o temos mais tempo para existir em n\u00f3s e para n\u00f3s. Construir as pr\u00f3prias pautas de vida e n\u00e3o agir de acordo os projetos do mundo que s\u00e3o tecidos \u00e0 revelia de n\u00f3s \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o de sa\u00fade. &nbsp;<\/p>&nbsp;<p>J\u00e1 passou do tempo de tomarmos a n\u00f3s mesmos pelas m\u00e3os e nos conduzirmos \u00e0 Casa que somos. Vivermos em conson\u00e2ncia com os nossos ritmos, com nossos amores, com os nossos valores, com as nossas refer\u00eancias e com imagens de mundo e de vida restauradoras. Na casa que somos h\u00e1 bastante luz. E porque h\u00e1 luz, haver\u00e1 sempre sombras. Mas tamb\u00e9m haver\u00e1 a qualidade de um <em>ver,&nbsp;<\/em>que o fil\u00f3sofo Nietzsche exalta como aquela que <em>acostuma os olhos \u00e0 quietude, \u00e0 paci\u00eancia, a aguardar atentamente as coisas.&nbsp;<\/em>\u00c9 um ver que olha com justi\u00e7a e respeito, a si, ao outro e ao mundo, com suavidade e sem medo, de tal forma, que a dimens\u00e3o de sombra que adoece cede lugar \u00e0 dimens\u00e3o de luz que a tudo regenera. Sigamos!<\/p>&nbsp;&nbsp;<p align=\"right\">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Maristela Barenco Corr\u00eaa de Mello<\/p>&nbsp;<\/a>\n<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\" title=\"\">\n\t<!--[endif]-->&nbsp;<\/a><a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\" title=\"\">&nbsp;<\/a>\n\n<p><\/p>\n\n<p>\n\t<a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\" title=\"\">\n\t\t<!--[if !supportFootnotes]-->[1] Merton, Thomas. <strong>A Via de Chuang Tzu<\/strong>. 5\u00aa edi\u00e7\u00e3o. Petr\u00f3polis: Editora Vozes, 1989, pp. 197-198 (XXXI).<\/a>\n<\/p>\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\" title=\"\">&nbsp;<\/a><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\" title=\"\">&nbsp;<\/a><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\" title=\"\">&nbsp;<\/a><\/p>\n\n<p>\n\t<a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\" title=\"\">\n\t\t<!--[if !supportFootnotes]-->[2] Nietzsche, Friedrich<strong>. Crep\u00fasculo dos \u00cddolos<\/strong> (ou como se filosofa com um martelo). Petr\u00f3polis: Editora Vozes, 2014.<\/a>\n<\/p>\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\" title=\"\">&nbsp;<\/a><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\" title=\"\">&nbsp;<\/a><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\" title=\"\">&nbsp;<\/a><\/p>\n\n<p>\n\t<a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\" title=\"\">\n\t\t<!--[if !supportFootnotes]-->[3] P\u00e1l Pelbart, Peter. <strong>Tudo \u00e9 feito para a conex\u00e3o absoluta, a mais saturada poss\u00edvel<\/strong>. Entrevista \u00e0 Revista Continente. Em 29 de novembro de 2015. Dispon\u00edvel em: ttps:\/\/www.revistacontinente.com.br\/especial\/19362-tudo-\u00e9-feito-para-conex\u00e3o-absoluta,-amais-saturada-poss\u00edvel.html.<\/a>\n<\/p>\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\" title=\"\">&nbsp;<\/a><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\" title=\"\">&nbsp;<\/a><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\" title=\"\">&nbsp;<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vivemos em um tempo de grandes desafios. 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