{"id":3583,"date":"2022-06-07T11:33:48","date_gmt":"2022-06-07T14:33:48","guid":{"rendered":"https:\/\/implantacaopro.xyz\/institucional-biofao\/autointeligencia-e-auto-organizacao-o-quanto-confiamos-nisso\/"},"modified":"2022-06-07T11:33:48","modified_gmt":"2022-06-07T14:33:48","slug":"autointeligencia-e-auto-organizacao-o-quanto-confiamos-nisso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/implantacaopro.xyz\/institucional-biofao\/autointeligencia-e-auto-organizacao-o-quanto-confiamos-nisso\/","title":{"rendered":"Autointelig\u00eancia e auto-organiza\u00e7\u00e3o: o quanto confiamos nisso?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cultura cientificista, que veio se formando desde o Renascimento, em uma esp\u00e9cie de oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 Idade M\u00e9dia e ao seu teocentrismo, colocou o ser humano no centro dos processos da vida. Mais do que isso, com Ren\u00e9 Descartes (1596-1650) temos uma especificidade em rela\u00e7\u00e3o a esse humano: a raz\u00e3o no centro dos processos, com seu \u201cCogito, ergo sum\u201d (Penso, logo existo). Deste paradigma nasce, um s\u00e9culo mais tarde, a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, com um desenvolvimento tecnol\u00f3gico gigante e com uma vis\u00e3o mecanicista da vida. Quase tr\u00eas s\u00e9culos depois podemos afirmar que vivemos em uma sociedade altamente tecnol\u00f3gica. Todas as \u00e1reas do conhecimento se apoiam nestas tecnologias de ponta, que teoricamente n\u00e3o substituem o ser humano, mas que enfraquecem, a cada dia, a sua capacidade interpretativa e hermen\u00eautica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na Medicina, por exemplo, vemos estas quest\u00f5es surgirem nas forma\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas. Cada vez mais os estudantes se apoiam nas tecnologias e cada vez mais est\u00e3o fr\u00e1geis em semi\u00f3tica. Se contrastarmos essa medicina moderna potent\u00edssima, com a Medicina Tradicional Chinesa, de cinco mil anos, veremos que a tecnologia presente ali se apoiava na capacidade agu\u00e7ad\u00edssima e hermen\u00eautica do m\u00e9dico, que conseguia fazer anamneses precisas sem uma m\u00e1quina sequer, mas observando atentamente a saburra lingual de um paciente, assim como o toque dos dedos em seu pulso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A grande quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 levantarmos um discurso contra ou a favor \u00e0s m\u00e1quinas e \u00e0s perspectivas tecnol\u00f3gicas, mas pensarmos em formas de equilibrarmos essas l\u00f3gicas de produ\u00e7\u00e3o do conhecimento; no caso, de diagn\u00f3sticos e tratamentos, em favor do reequil\u00edbrio da Vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos grandes obst\u00e1culos \u00e0 Vida emergem dessa cultura tecnicista, quando esta se apoia demais na raz\u00e3o e na cientificidade dos processos, em uma ilus\u00e3o de controle, deixando pouca margem e espa\u00e7o para os processos inatos \u00e0 vida, como, por exemplo, autointelig\u00eancia e auto-organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gosto de contemplar, sempre que posso, o processo de regenera\u00e7\u00e3o imediata de um corte no dedo ou uma pequena queimadura, quando me dou ao luxo de n\u00e3o colocar nenhuma subst\u00e2ncia externa, mas poder observar, a cada dia, no tempo da vida, o milagre da regenera\u00e7\u00e3o. De igual forma, gosto de cultivar batatas doce em \u00e1gua, porque a brota\u00e7\u00e3o que se d\u00e1 a partir da\u00ed \u00e9 miraculosa: hastes vegetais de enorme forma ascendente despontam e crescem, tendo como est\u00edmulos, apenas \u00e1gua e luminosidade do sol. A cada dia, quando contemplo o vigor ascendente daquelas hastes, penso no mist\u00e9rio da vida, ou em sua pr\u00f3pria tecnologia inata, que, por mais que a estudemos e por mais que quimicamente a decompusemos, escapa-nos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 no bojo dessa consci\u00eancia que despontam, em di\u00e1logo com a tradi\u00e7\u00e3o e com a sabedoria ancestral, formas terap\u00eauticas e medicamentosas colaborativas, que preveem, em seu processo, uma abertura ao di\u00e1logo, para que a vida possa atuar, tamb\u00e9m, em sua tecnologia inata. Nestes sistemas, o terapeuta e o m\u00e9dico s\u00e3o pessoas dotadas da capacidade de observa\u00e7\u00e3o, interpreta\u00e7\u00e3o e escuta, muito mais do que de interven\u00e7\u00e3o. Levar em conta o processo inato de intelig\u00eancia e auto-organiza\u00e7\u00e3o da vida sup\u00f5e escolher terap\u00eauticas que ressoem, de forma benfazeja, princ\u00edpios de colabora\u00e7\u00e3o e n\u00e3o supress\u00e3o. Sempre fico a pensar, por exemplo, no caso de uma psiquiatria muito medicamentosa, que consegue suprimir mal-estares e sintomas&#8230; Fico a perguntar: para onde foi a dor que originou o desequil\u00edbrio? Queremos nos curar ao n\u00edvel da dor ou apenas suprimir sintomas desconfort\u00e1veis? Se buscamos a cura, precisamos alargar nossas l\u00f3gicas e abarcar outras dimens\u00f5es que normalmente s\u00e3o olvidadas. Na l\u00f3gica da intelig\u00eancia e auto-organiza\u00e7\u00e3o inatas, um conjunto de sintomas s\u00e3o uma forma de comunica\u00e7\u00e3o de um campo vital important\u00edssimas. Os sintomas e desconfortos est\u00e3o a nos sinalizar sobre nossas necessidades de mudan\u00e7a. Calar esse processo, de alguma forma, ou ficar apenas ao n\u00edvel dele, implica suprimir processos de vida muito importantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste sentido, o que mais me encanta, na metodologia BioFAO, \u00e9 saber que existem m\u00e9dicos e m\u00e9dicas que se colocam, em rever\u00eancia, \u00e0 escuta de um Campo Vital maior e que, em \u00faltima inst\u00e2ncia e para al\u00e9m de qualquer tecnologia, \u00e9 o grande soberano que nos conduz. N\u00e3o h\u00e1 tecnologia mais m\u00e1gica e miraculosa do que a de um campo vital inteligente e auto-organizador.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cultura cientificista, que veio se formando desde o Renascimento, em uma esp\u00e9cie de oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 Idade M\u00e9dia e ao seu teocentrismo, colocou o ser humano no centro dos processos da vida. 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