{"id":3579,"date":"2022-07-03T11:29:36","date_gmt":"2022-07-03T14:29:36","guid":{"rendered":"https:\/\/implantacaopro.xyz\/institucional-biofao\/a-descolonizacao-como-processo-de-cura-de-uma-medicina-colonial-parte-i\/"},"modified":"2022-07-03T11:29:36","modified_gmt":"2022-07-03T14:29:36","slug":"a-descolonizacao-como-processo-de-cura-de-uma-medicina-colonial-parte-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/implantacaopro.xyz\/institucional-biofao\/a-descolonizacao-como-processo-de-cura-de-uma-medicina-colonial-parte-i\/","title":{"rendered":"A descoloniza\u00e7\u00e3o como processo de cura de uma Medicina Colonial &#8211; Parte I"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Decoloniza\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo de revis\u00e3o intelectual, epistemol\u00f3gica, l\u00f3gica e cognitiva, que vem atravessando todas as \u00e1reas do conhecimento, a partir do reconhecimento de que o Colonialismo, para al\u00e9m do sistema de domina\u00e7\u00e3o conhecido, constitui um sistema de domina\u00e7\u00e3o epistemol\u00f3gica e nas formas de produ\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o do conhecimento e da vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A caracter\u00edstica principal desta l\u00f3gica \u00e9 que ela defende apenas a legitimidade de um modelo de RACIONALIDADE (herdado da Cultura Ocidental), a concess\u00e3o \u00e0 Ci\u00eancia Moderna da da distin\u00e7\u00e3o dos saberes verdadeiros e falsos, e um modelo de ser sociedade (o Capitalismo global). Tudo o que escapa a isso \u00e9 produzido como inexist\u00eancia e subalternidade (SANTOS, 2003).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Santos (2003) atribui ao pensamento colonial ao menos duas cr\u00edticas: seu car\u00e1ter indolente, j\u00e1 que transforma interesses hegem\u00f4nicos de uma cultura particular em verdade universal; e seu car\u00e1ter meton\u00edmico de narrar a si, como refer\u00eancia, totalidade e a \u00fanica verdade do mundo, colocando todos os outros sistemas de conhecimento e culturas como partes, derivativas, inferiores e subordinadas, desvirtuando a diversidade e a legitimidade dos sistemas culturais e de conhecimento, transformando a vida em uma monocultura de pensamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pensamento descolonial ou decolonial n\u00e3o \u00e9 contra a ci\u00eancia e nem sua racionalidade, mas reconhece a legitimidade da diversidade epistemol\u00f3gica do mundo e dos diversos sistemas de conhecimento e produ\u00e7\u00e3o dele. A cr\u00edtica contra-epistemol\u00f3gica n\u00e3o implica no descr\u00e9dito da racionalidade ocidental e nem na ci\u00eancia, mas apenas em seu alargamento e sua horizontalidade. Santos denomina de ecologia dos saberes essa contra-epistemologia. como um dispositivo que procura dar consist\u00eancia epistemol\u00f3gica \u00e0 diversidade do conhecimento (SANTOS E MENEZES Org, 2009).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Medicina, como todas as outras \u00e1reas de conhecimento, n\u00e3o ficou imune \u00e0 arrog\u00e2ncia colonial. Segundo Mello (2008), n\u00e3o se \u201cbastou criar uma forma m\u00e9dica para a pensar a sa\u00fade, precisou-se nomear curandeirismo e bruxaria as formas outras de rela\u00e7\u00e3o com a sa\u00fade\u201d e essa heran\u00e7a, de produ\u00e7\u00e3o de subalternidades, pode ser observada a partir da hist\u00f3ria social da medicina, com a cria\u00e7\u00e3o das Universidades, sob a prote\u00e7\u00e3o de monarquias e papado, em que se cria um fosso entre a emerg\u00eancia de saberes m\u00e9dicos te\u00f3ricos e saberes m\u00e9dicos pr\u00e1ticos, marginalizando os \u00faltimos, e recha\u00e7ando os sistemas de sa\u00fade que, na idade m\u00e9dica, se refugiavam nos mosteiros beneditinos. Assim, as universidades nascem como aparato institucional do pensamento colonial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje, n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel adentrar o campo dos estudos produzidos, sem buscar acessar as condi\u00e7\u00f5es e premissas de produ\u00e7\u00e3o desses conhecimentos, seus fundamentos, seus conceitos, suas terminologias, seus verbos e suas metodologias. \u00c9 preciso fundar, a um s\u00f3 tempo, um conhecimento e suas condi\u00e7\u00f5es \u00e9ticas de produ\u00e7\u00e3o, tendo em vista a supera\u00e7\u00e3o dos epistemic\u00eddios (morte de sistemas de conhecimentos n\u00e3o hegem\u00f4nicos) ao longo do tempo, que extinguiram sistemas de cuidado com a vida preciosas, cuja devasta\u00e7\u00e3o empobreceu e empobrece as formas de cuidar dos seres humanos e da vida. Somos chamados a curar as formas de pensar que originam formas adoecedoras de viver.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como se manifesta, hoje, o pensamento colonial, nas pr\u00e1ticas m\u00e9dicas? Veremos isso no pr\u00f3ximo artigo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Refer\u00eancias<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MELLO, Marisol Barenco Corr\u00eaa de. Diferentes l\u00f3gicas no ensinar e no aprender: por uma pedagogia das aus\u00eancias, pp. 34-54. In: GARCIA, Regina Leite; ZACCUR, Edwiges (Org). Alfabetiza\u00e7\u00e3o: reflex\u00f5es sobre saberes docentes e saberes discentes. S\u00e3o Paulo: Cortez, 2008, pp. 34-54.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SANTOS, Boaventura de Sousa. Para uma sociologia das aus\u00eancias e uma sociologia das emerg\u00eancias. Em: Santos, Boaventura de Sousa (Org.). Conhecimento prudente para uma vida decente: &#8220;Um discurso sobre as ci\u00eancias&#8221; revisitado. Porto: Afrontamento, 2003, pp. 777-821.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SANTOS, Boaventura de Sousa; MENESES, Maria Paula (Orgs) Epistemologias do Sul. Coimbra: CES\/Almedina, 2009.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Decoloniza\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo de revis\u00e3o intelectual, epistemol\u00f3gica, l\u00f3gica e cognitiva, que vem atravessando todas as \u00e1reas do conhecimento, a partir do reconhecimento de que o Colonialismo, para al\u00e9m do sistema de domina\u00e7\u00e3o conhecido, constitui um sistema de domina\u00e7\u00e3o epistemol\u00f3gica e nas formas de produ\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o do conhecimento e da vida. 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